28 de novembro de 2012

Disse Xamanismo?



O Xamanismo não pertence a nenhum povo ou cultura, é antes uma herança, deixada pelos antepassados de toda a humanidade, cuja origem se perde no tempo, chegando até nós, de geração em geração.


Xamanismo é apenas uma designação actual para se referir a práticas espirituais com cariz naturalista, mas que não se prendem com nenhuma área geográfica ou comunidade em particular. Por este motivo podemos dizer que são herança dos antepassados da humanidade.


O nome Xamanismo (Chamanisme -> Shamanism) foi criado por antropólogos da nossa era, ao referirem-se, em análise académica, a um conjunto de práticas de tribos indígenas.
Vem da palavra Saman (Xamã), que designava o curandeiro/sacerdote da Sibéria (ver aqui). Em contexto académico, rapidamente o termo foi adotado, para facilitar a dissertação sobre práticas análogas existentes em todo o mundo. Assim a palavra acabou por ser popularizada.
Nos primórdios da ligação humana ao mundo espiritual está o Xamanismo. São várias as referências à sua antiguidade, podendo ir até aos 40  mil anos (talvez mais).

Terá sido na observação dos ciclos de morte/renascimento que fez o Homem olhar para dentro e perceber que havia algo mais.
Hoje, nas tribos, sejam elas na Sibéria, nas Américas, na Austrália, na Ásia ou em África há uma filosofia/lógica comum na forma como explicam o mundo. Ainda que a metodologia não seja totalmente igual, a prática xamânica chega até nós com um paralelismo no mínimo curioso... não tem fronteiras, é universal e acontece ao longo de milhares de anos, em comunidades que nunca tiveram contato entre si.
Os nossos antepassados procuraram respostas utilizando o método de experimentação e erro, para encontrar soluções para situações do seu dia-a-dia. No Xamanismo o espírito manifesta-se em tudo o que existe, tudo é espírito e encontra-se ligado por uma teia, a Teia da Vida. O contato com o mundo espiritual é feito encetando uma viagem, entrando em estado de êxtase, onde se interage com as forças ancestrais do Todo, do Grande Espírito. Esses estados alterados de consciência são propiciados pelo som monótono do tambor, o didgeridu, o berimbau entre outros. .
Na cura de doenças, na previsão de adventos naturais, na morte, no nascimento, aplicaram o seu conhecimento das plantas, dos animais, de todo o comportamento cíclico do cosmos.... O facto de se repetirem um pouco por todo o mundo, de forma tão semelhante, entre comunidades que nunca tiveram contato entre si, talvez explique o que quer dizer "Somos todos Um."


A prática fora do contexto indígena

Hoje, um pouco por todo o mundo, existem novos praticantes  de Xamanismo (neo-xamanismo), sem estarem inseridos em nenhuma tribo ou seguirem nenhuma cultura indígena em particular. Seguindo a universalidade do método e lógica xamânica, viajamos a outros mundos, em estados de êxtase, experimentando a dimensão cósmica e telúrica que permeia a nossa existência. Muitos são os que respondem ao chamamento de se conectarem, a um nível profundo, consigo próprios como parte integrante da Teia da Vida.



Tudo opera como fonte de conhecimento e de entendimento de nós próprios. Integramos a nossa natureza animal, reavivando as memórias ancestrais do tempo em que conseguíamos perceber o sussurro da Mãe-Terra, ao ouvido da nossa alma. Reunimos-nos com o universo cósmico, onde aceitamos o Poder de manifestar plenitude, Amor e prosperidade nas nossas vidas. Damos voz ao sagrado que vive em todos nós.



Xamanismo Urbano

Hoje, o ressurgir da sabedoria ancestral pulula pelos centros urbanos, talvez de uma necessidade básica de ligação à Terra, o sentimento de pertença a algo neste mundo estranho, neste mundo de estranhos.
Talvez por isso ressoe com tanto carinho nos corações de tantos, a palavra tribo, a palavra Mãe-Terra. Talvez seja por nos termos desligado da nossa natureza animal e dos ciclos de renovação constante que existem dentro e fora de nós.
Talvez seja de nos termos desligado do nosso corpo, das nossas emoções, dando demasiada atenção ao alimento para a mente, que nunca está satisfeita e avidamente procura consolo fora de si.
Talvez seja isso que nos faz sonhar ao olhar para animais selvagens e livres, tão ligados ainda ao útero que lhes deu vida, talvez ressoe como algo que já vivemos e que tão bem conhecemos. Talvez...




2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bom, este texto. Tive conhecimento do neo-xamanismo há pouco tempo mas sempre me interessei pelas culturas ancestrais, tendo incluse vivido os primeiros 3 anos e meio da minha vida no meio da floresta africana, a bons quinhentos quilómetros de picada da cidade mais próxima. Tomei consciência que as primeiras melodias que escutei, além do cântico dos pássaros e do rugir do leão ao entardecer, longe na savana, foi o ressoar do batuque, os tambores e cãnticos que periodicamente enchiam a noite de vida misteriosa na aldeia próxima. Desde que ouvi a frase "somos família", passei a sentir-me inteira, verdadeiramente parte da humanidade. Antes, era aquela estranha que fala de batuques, rugidos, magia e encantamentos da natureza...Nunca serei urbana porque as memórias de vivências no seio da natureza são profundas e cada vez mais presentes mas alegro-me e congratulo-me que o novo despertar de consciência traga a humanidade para o centro do Universo, onde pertence. Obrigada irmãs e irmãos por partilharem o vosso saber.
Fernanda Carvalho

Trilhos do Tambor disse...

Olá Fernanda,
muito grata pelo comentário :-D
É isso mesmo que sinto, "somos família" ressoa tão forte aqui dentro e é tão bom sentir que não sou mais aquela "estranha" que se manda para o monte sozinha... estamos a acordar e é tão bom!
Um grande beijinhos e volte sempre!
Ana